Cultura
e Trabalho
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Ao longo de sua histria, o Brasil tem enfrentado o problema da excluso social que gerou
grande impacto nos sistemas educacionais. Hoje, milhes de brasileiros ainda no se beneficiam
do ingresso e da permanncia na escola, ou seja, no tm acesso a um sistema de educao
que os acolha.
Educao de qualidade  um direito de todos os cidados e dever do Estado; garantir o exerccio
desse direito  um desafio que impe decises inovadoras.
Para enfrentar esse desafio, o Ministrio da Educao criou a Secretaria de Educao Continuada,
Alfabetizao e Diversidade  Secad, cuja tarefa  criar as estruturas necessrias para formular,
implementar, fomentar e avaliar as polticas pblicas voltadas para os grupos tradicionalmente
excludos de seus direitos, como as pessoas com 15 anos ou mais que no completaram o Ensino
Fundamental.
Efetivar o direito  educao dos jovens e dos adultos ultrapassa a ampliao da oferta de vagas
nos sistemas pblicos de ensino.  necessrio que o ensino seja adequado aos que ingressam na
escola ou retornam a ela fora do tempo regular: que ele prime pela qualidade, valorizando e respeitando
as experincias e os conhecimentos dos alunos.
Com esse intuito, a Secad apresenta os Cadernos de EJA: materiais pedaggicos para o 1. e o
2. segmentos do ensino fundamental de jovens e adultos. Trabalho ser o tema da abordagem
dos cadernos, pela importncia que tem no cotidiano dos alunos.
A coleo  composta de 27 cadernos: 13 para o aluno, 13 para o professor e um com a concepo
metodolgica e pedaggica do material. O caderno do aluno  uma coletnea de textos
de diferentes gneros e diversas fontes; o do professor  um catlogo de atividades, com sugestes
para o trabalho com esses textos.
A Secad no espera que este material seja o nico utilizado nas salas de aula. Ao contrrio,
com ele busca ampliar o rol do que pode ser selecionado pelo educador, incentivando a articulao
e a integrao das diversas reas do conhecimento.
Bom trabalho!
Secretaria de Educao Continuada,
Alfabetizao e Diversidade  Secad/MEC
Apresentao
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Sumrio
TEXTO Subtema
1. Ilha da fantasia Festas populares 6
2. Cultura Conceito 8
3. Casa de farinha Regionalidades 10
4. Bandeiras e lgrimas O trabalhador do setor rural 14
5. A culinria tambm  culturaCulinria tambm  cultura 16
6.  trampo, mano Primeiro emprego 17
7. Um canto s ocupaes O artista e os trabalhadores 18
8. O jargo Valorizao profissional 20
9. Classe operria Crtica social 23
10. Oktoberfest Festas populares 24
11. A chegada de lampio no cu 26
12. Esttica do oprimido Autoconhecimento 30
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13. Nem tudo  brincadeira Festas populares 33
14. A geografia do sabor Cultura e culinria 34
15. Perguntas de um trabalhador que l Contestao da histria oficial 38
16. The slang industry Estudo de idiomas 39
17. Vidas secas Regionalidades 42
18. Feita para as massas Conceito de cultura 46
19. Cai-cai balo Festas populares 48
20. O suor dos boleiros Futebol e profisso 50
21. Ensaio: o maracatu Retratos do carnaval 52
22. Carta a um zapatero que compuso mal unos zapatos 56
23. As grandes festas e as oportunidades de trabalho e renda Festas popular60
24. Cinema povo: i nis na fita Trabalho e tempo livre 62
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So interminveis os preparativos para
o espetculo mais esperado da maior
floresta do planeta. O Festival Folclrico
de Parintins acontece anualmente
nos dias 28, 29 e 30 de junho. Mas a festa
do boi, como  chamada pelo povo, acontece
todos os dias no corao dos amazonenses.
A produo das alegorias e fantasias,
as coreografias, tudo isso comea oito
meses antes do grande evento celebrado
no Bumbdromo, o templo do festival, com
capacidade para 35.000 espectadores.
Mais de 100.000 pessoas vo assistir ao
Festival de Parintins: a cada uma das trs
noites, o resultado de dois meses de ensaios
nos QGs de Caprichoso e Garantido, os
dois conjuntos folclricos que entram na
disputa do espetculo, inspirado em lendas
de pajelanas indgenas de diversas tribos
e costumes caboclos da Amaznia.
Cerca de mil pessoas so contratadas
para o trabalho de confeco das fantasias
e alegorias nos currais dos dois conjuntos
folclricos.
ILHA DA
FANTASIA
Festas populares
TEXTO 1
 Cultura e Trabalho 6
O festival do
bumba-meu-boi
d trabalho a
mais de mil pessoas
em Parintins,
no Amazonas
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Cultura e Trabalho  7
Marcada pelas impressionantes alegorias
representadas pelos carros confeccionados
por artistas parintinenses, a disputa
entre Caprichoso e Garantido fez com
que as lendas da regio, ano aps ano,
voltassem a povoar o imaginrio popular.
 a histria do homem amaznico por
meio dessa grande festa que, com suas
toadas, contagia tanto os brincantes
quanto o pblico nas arquibancadas.
Bumbdromo
O Bumbdromo, Centro Cultural e Esportivo
Amazonino Mendes, foi inaugurado
em 1988, e divide Parintins ao meio, marcando
o limite dos currais de Garantido e
Caprichoso.  considerado a maior obra cultural
e desportiva do Estado do Amazonas.
Fonte P Extrado do site http://www.parintins.com.br
O paj do Caprichoso, Waldir Viana. Foto: Antonio Menezes /AE
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Alm dos seres vivos e da matria csmica, existem
tambm coisas culturais, muitssimo mais complicadas.
Chama-se cultura tudo o que  feito pelos homens,
ou resulta do trabalho deles e de seus pensamentos.
Por exemplo, uma cadeira est na cara que  cultural porque
foi feita por algum. Mesmo o banquinho mais vagabundo,
que mal se pe em p,  uma coisa cultural.  cultura,
tambm, porque feita pelos homens, uma galinha. Sem
a interveno humana, que criou os bichos domsticos, as
galinhas, as vacas, os porcos, os cabritos, as cabras, no existiriam.
S haveria animais selvagens.
Conceito
TEXTO 2
 Cultura e Trabalho 8
CULTURA
A dialtica da simplicidade, empregada pelo
antroplogo, escritor e ex-ministro da Educao,
explica, da maneira mais simples, como cultura
 tudo o que resulta do trabalho humano
Darcy Ribeiro
Foto: Antonio Menezes / AE
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A minhoca criada para produzir humo
 cultural, eu compreendo. Mas a lombriga
que voc tem na barriga  apenas um ser
biolgico. Ou ser ela tambm um ser cultural?
Cultural no , porque ningum cria
lombrigas. Elas  que se criam e se reproduzem
nas suas tripas.
Uma casa qualquer, ainda que material,
 claramente um produto cultural, porque
 feita pelos homens. A mesma coisa
pode-se dizer de um prato de sopa, de um
picol ou de um dirio. Mas estas so coisas
de cultura material, que se pode ver,
medir, pesar.
H, tambm, para complicar, as coisas
da cultura imaterial, impropriamente chamadas
de espiritual  muitssimo mais complicadas.
A fala, por exemplo, que se revela
quando a gente conversa, e que existe independentemente
de qualquer boca falante, 
criao cultural. Alis, a mais importante.
Sem a fala, os homens seriam uns macacos,
porque no poderiam se entender uns com
os outros, para acumular conhecimentos e
mudar o mundo como temos mudado.
A fala est a, onde existe gente, para
qualquer um aprender. Aprende-se, geral-
Cultura e Trabalho  9
mente, a da me. Se ela  uma ndia, aprende-
se a falar a fala dos ndios, dos xavantes,
por exemplo. Se ela  uma carioca, professora,
moradora da Tijuca, a gente aprende
aquele portugus l dos tijucanos. Mas se
voc trocar a filhinha da ndia pela filha da
professora, e criar, bem ali na praa Saens
Pea, ela vai crescer como uma menina
qualquer, tijucana, dali mesmo. E vice-versa,
o mesmo ocorre se a filha da professora for
levada para a tribo xavante: ela vai crescer
l, como uma xavantinha perfeita  falando
a lngua dos xavantes e xavanteando muito
bem, sem nem saber que h tijucanos.
Alm da fala, temos as crenas, as artes,
que so criaes culturais, porque inventadas
pelos homens e transmitidas uns
aos outros atravs de geraes. Elas se tornam
visveis, se manifestam, atravs de criaes
artsticas, ou de ritos e prticas  o
batizado, o casamento, a missa , em que
a gente v os conceitos e as idias religiosas
ou artsticas se realizarem. Essa separao
de coisas csmicas, coisas vivas, coisas
culturais, ajuda a gente de alguma
forma? Sei no. Se no ajuda, diverte. 
melhor que decorar um dicionrio, ou
aprender datas. Voc no acha?
Trecho do livro Noes de Coisas. So Paulo, FTD, 1995
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CASA DE
FARINHA
Regionalidades
TEXTO 3
 Cultura e Trabalho 10
A farinha de mandioca,uma das
bases da alimentao do nosso
povo,  produzida pelos ndios
desde muito tempo,
bem antes de os portugueses
descobrirem o Brasil.
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Afarinha de mandioca  um produto
da raiz da mandioca (jatropha
manihot), planta da famlia das
eufrobiceas, muito conhecida, cultivada e
aproveitada pelos ndios em vrios produtos
alimentcios, como puderam constatar
os portugueses quando chegaram ao Brasil.
Os ndios chamavam as suas plantaes,
ou roas de mandioca, de mandiotuba.
A mandioca amolecida, fermentada ou
apodrecida para o fabrico de farinha ou
extrao da goma, por sua vez, era chamada
de mandiopuba, e a farinha misturada
com gua, o piro, de uypeba.
Em Pernambuco existiam vrias espcies
de mandioca: branquinha, cruvela,
caravela ou mamo, engana-ladro, fria ou
da mata, landim, manipeba, vermelha,
entre ouras, alm da mandioca brava,
muito venenosa.
A casa de farinha  o local onde se
transforma a mandioca em farinha, ingrediente
usado na fabricao de vrios
alimentos, entre os quais o beiju, conhecido
pelos ndios como mby, muito apreciado
na regio Nordeste do Brasil. Em 1551,
o padre jesuta Manoel da Nbrega, quando
escreveu sobre sua visita a Pernambuco,
falou do beiju e das farinhas fabricados
pelos indgenas.
No perodo colonial, a farinha de
mandioca era usada para a alimentao dos
escravos, dos criados das fazendas e engenhos,
alm de servir tambm como suprimento
de viagem para os portugueses
(farnel de viajantes).
Cultura e Trabalho  11
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Texto 3 / Regionalidades
 Cultura e Trabalho 12
Em algumas regies, para tornar os
alimentos menos perecveis, misturavamnos
com a farinha de mandioca. obtendo
pratos como a farinha de peixe seco, socada
em pilo, que assim podia agentar por
muito tempo, utilizada pelos bandeirantes
em suas expedies.
O processo de produo da farinha de
mandioca comea no plantio das manivas.
Depois da colheita da raiz (tubrculo), a
mandioca  levada direto da roa para a
casa de farinha, onde  descascada e colocada
na gua para amolecer e fermentar
ou pubar. Em seguida,  triturada ou ralada
em pilo ou no ralador, tambm chamado
de caititu. A mandioca ralada vai caindo
em um cocho, sendo depois prensada
no tipiti (tipi = espremer e ti = lquido, na
lngua tupi) para retirar um lquido venenoso
chamado manipueira (cido andrico).
Depois de peneirada e torrada, a farinha
est pronta para o consumo.
O lquido que sobra da pubagem tem
um alto teor alcolico. No Par, esse lquido,
depois de ser submetido  ao do sol
ou do fogo para retirar sua toxidade, 
usado no preparo do tucupi, espcie de
molho muito apreciado na cozinha amaznica,
como o famoso pato no tucupi.
A massa da mandioca, que decanta
durante a pubagem,  utilizada como goma
para engomar roupa ou para a fabricao
de alimentos como mingau, papa, sequilho,
bolo, tapioca.
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Cultura e Trabalho  13
A farinha de mandioca  usada em
vrios tipos de farofa, piro, beiju e entra
como ingrediente em uma grande quantidade
de receitas da culinria brasileira.
A casa de farinha ajudou a fixar o
homem  terra, transformando a mandioca
num importante alimento, responsvel
pela diminuio da fome em algumas regies
brasileiras.
Fonte P Fundao Joaquim Nabuco
www.fundaj.gov.br
Adivinhas do folclore
sergipano acerca da mandioca
1. Branquinha, branquinho, reviradinho?
Beiju!
2. Carneirinho de beira-mata que o leite
mata?
Mandioca!
3. Preta por fora, branca por dentro?
Macaxeira!
4. Anda, anda e no sai do lugar?
Rodete de casa de farinha!
5. Tapi passou por aqui e fez oca?
Tapioca!
Ilustrao: Alcy
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Em 1955 deixei a Fiat Lux, onde trabalhava como torneiro
mecnico e pintor dos grandes painis que decoravam as
paredes do refeitrio nas noites de sbado. Por meses,
perambulei em busca de um emprego que pudesse me encaminhar
como artista. A culpa por tentar outra profisso doa.
Eu era o nico da famlia que trabalhava. Voltava para casa
tarde, quando todos dormiam, com vergonha de enfrentar o
desespero de minha me pela falta de dinheiro. Depois de um
tempo, consegui estgio no estdio do Pingo. A ajuda de custo
mal dava para a conduo. Mas a quem precisa, a vida ensina
a no perder oportunidade alguma. Varria o estdio e cuidava
do estoque; quando sobrava tempo, desenhava.
A sorte bateu em minha porta numa manh de junho de
1956. Uma vizinha encomendou um quadro para a festa junina
que daria em seu quintal. Com Salim, dono de armarinho
e pai do Soni, meu melhor amigo, consegui o brim branco;
BANDEIRAS
E LGRIMAS
O trabalhador do setor cultural
TEXTO 4
 Cultura e Trabalho 14
O artista plstico
descobre a comunho de idias
e a similaridade de sua vida com
as do consagrado Alfredo Volpi
Elifas Andreato
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com Pingo, tintas e pincis. Cortei o brim do tamanho exato
do meu colcho de solteiro, a medida mxima que o pequeno
quarto que dividia com meu irmo  o ateli improvisado 
permitia. No sabia ainda desenhar So Joo, meu santo junino
preferido. Ento tentei cordes com bandeirinhas coloridas.
Pintava sobre o colcho, e,  noite, punha a tela para
secar debaixo da cama.
Trabalho terminado, vizinha satisfeita, recebi direitinho 
para contentamento de minha me, que zerou a conta na
venda e renovou o crdito.
Anos depois, j como estagirio da Editora Abril, vi numa
revista o quadro com bandeirinhas de um pintor chamado
Alfredo Volpi. Chorei ao descobrir que foi autodidata como
eu, marceneiro como eu, e pintor de parede. No ms passado,
celebramos no MAM o stimo aniversrio deste Almanaque
[Almanaque Brasil]*. Durante a festa, dei uma escapadinha
para visitar a exposio do Volpi, parte da minha comemorao
particular. Vendo suas bandeirinhas, chorei novamente.
No de tristeza, mas de alegria, por estar em lugar to nobre,
em companhia de brasileiros ilustres, expondo ao seu lado a
vitria dos que jamais abandonam seus sonhos.
*N.E.
Extrado do site http://www.almanaquebrasil.com.br/ao_povo.asp
Cultura e Trabalho  15
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A CULINRIA
TAMBM  CULTURA
Cozinhar  uma arte:  preciso ter
mo para doces e salgados. Milenarmente
as receitas foram transmitidas
de gerao em gerao, antes de surgirem
a imprensa e os livros de receitas. Mas
os hbitos alimentares tambm foram se
alterando de gerao em gerao: pratos
antigos caam em desuso, como a vitela com
pur de rosas dos romanos ou o po com
cebola e cerveja dos antigos egpcios. E tambm
a cada gerao foram surgindo pratos
novos, principalmente quando se difundiam
novos ingredientes, como o acar que
o Ocidente recebeu primeiro do Oriente e
depois das Amricas, ou o milho, a batata,
a mandioca e o tomate, conhecidos s nas
Amricas antes de sua descoberta por
Colombo.
Alguns pratos tradicionais brasileiros
tm origens curiosas. A feijoada, o prato
nacional das grandes ocasies, surgiu nas
senzalas: as negras aproveitavam as partes
do porco que os brancos desprezavam e
jogavam fora, como os ps, rabo, orelha,
focinho.... O cuscuz paulista era o prato
habitual dos bandeirantes em suas prolongadas
expedies, pois seus ingredientes, a
farinha de milho e o peixe seco, conservados
em alforjes de couro, no se deterioravam
e se mantinham comestveis durante
muito tempo.
Os conventos de freiras, na Colnia,
eram palco de experimentaes culinrias
com o ento novo ingrediente, o acar. O
antroplogo Gilberto Freyre anotou que as
referncias mundanas ficaram evidenciadas
em nomes de doces como baba de
moa e beijo de frade.
Cultura e culinria
TEXTO 5
 Cultura e Trabalho 16
Renato Pompeu  escritor e jornalista.
Receitas so transmitidas de gerao em gerao h sculos
Renato
Pompeu
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Cultura e Trabalho  17
Foi lanado em Curitiba o projeto Mercado
Alternativo do Movimento Hip-Hop
Organizado do Brasil, o MH20, cujo objetivo
 promover, por meio da cultura do hiphop,
a montagem de uma cadeia produtiva.
Cerca de 140 jovens, com idade entre 16 e 24
anos, desempregados, de baixa renda e que
nunca tiveram a carteira de trabalho assinada,
participaram da primeira fase do projeto.
Depois, so selecionados no mximo cinqenta
participantes para atuar nas seis empresas
que sero administradas por eles.
Os ramos de atuao das empresas so:
serigrafia, estdio de gravao de CD, estdio
de vdeo, eventos, adereos, e uma loja  que
ir escoar toda a produo de roupas, acessrios,
documentrios e videoclipes, entre outros
produtos. Tudo seguindo o estilo da cultura
hip-hop. Os participantes recebero qualificao
profissional para administrar um pequeno
negcio.
O projeto prev aulas dirias: teoria no
perodo da manh e prtica  tarde, sobre
como administrar empreendimentos, escolher
fornecedores, determinar preos dos produtos,
como lidar com concorrentes, entre outros
temas. Terminado o projeto, as empresas continuaro
no mercado, com o acompanhamento
e o suporte do MH2O.
O MH2O faz parte do programa Empreendedorismo
Juvenil, do Ministrio do Trabalho e
Emprego, MTE, vertente do Programa Nacional
de Estmulo ao Primeiro Emprego.
Extrado do site: http://www.mte.gov.br
Jovens de baixa renda iniciam atividades do
projeto MH2O, baseado no mundo do hip-hop
Primeiro emprego
TEXTO 6
Foto: J. F. Diorio / AE
 TRAMPO,MANO
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Um canto s ocupaes!
No labor dos negcios e das mquinas
e no labor dos campos
vejo progressos
e encontro eternos significados.
Trabalhadores e trabalhadoras!
Fossem todas as formas de instruo
ornamental ou prtica
bem expostas por mim  que contaria
isso para vocs?
Fosse eu o professor-chefe,
caridoso proprietrio,
sbio estadista  que contaria
isso para vocs?
Fosse eu feito o patro
lhes dando emprego e salrio
 isso faria vocs satisfeitos?
Os instrudos, os virtuosos,
os de boa vontade,
e os termos de costume...
Um homem feito eu e em tempo algum
os termos de costume.
Nem servo nem senhor, eu: no pago um
preo alto mais depressa que um preo
mnimo, terei o meu
quando algum for do meu agrado, serei
igual com vocs e espero que sejam iguais
comigo, se vo ficar trabalhando em
alguma loja dessa loja eu hei de ficar to
prximo quanto o mais prximo na mesma
UM CANTO
S OCUPAES
A arte e o trabalho
TEXTO 7
 Cultura e Trabalho 18
Walt Whitman
(fragmento)
Iustrao: Alcy
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loja; e se derem presente a algum irmo
ou amigo mais caro,
esperarei ganhar outro to bom
quanto o do seu irmo
ou amigo mais caro;
se seu amante ou esposo ou esposa
de dia ou de noite  bem-vindo sempre
igualmente bem-vinda h de ser
minha pessoa;
se vocs adoecerem,
se se tornarem degradados, criminosos,
eu ainda assim ficarei
por causa de vocs;
se recordarem o que tenham feito
de louco e fora da lei,
ento no posso lembrar eu tambm
o que tanto tenho feito
de louco e fora da lei?
Se vocs bebem a um canto da mesa,
no outro canto da mesa bebo eu.
Se vem na rua algum desconhecido
e gostam dele ou dela
 ora, na rua eu vejo muitas vezes
algum desconhecido e tambm gosto.
O que  que tm pensado de si mesmos?
Ou sero por acaso
os que menos tm pensado em si mesmos?
Sero vocs os que julgam o presidente
maior do que vocs?
Ou os ricaos mais bem situados
que vocs? Ou talvez os eruditos
mais sbios que vocs?
(Por serem gordos ou cheios de espinhas,
por terem sido bbados
ou at mesmo ladres, uma vez,
ou por estarem doentes,
por serem reumticos, por serem
um homem ou uma mulher da vida,
por leviandade ou fraqueza,
ou por no serem doutores
ou por no terem visto
seus nomes nunca em letra de forma
 deixaro de lutar
por serem algo menos imortal?)
Cultura e Trabalho  19
Walt Whitman (1812-1892)  considerado o mais importante poeta
norte-americano do sculo 19 e seu livro Folhas de Relva (Leaves
of Grass)  celebrado como sua obra maior.
Extrado do Livro Folhas de Relva, Walt Whitman, traduo:
Geir Campos. Editora Brasiliense/1984
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Luis Fernando Verissimo
Cultura do trabalho
TEXTO 8
 Cultura e Trabalho 20
O JARGO
Onde o autor constata que o emprego
do jargo profissional cria fama
de entendido para quem pouco sabe,
s vezes, nem o jargo
Nenhuma figura  to fascinante quanto o Falso
Entendido.  o cara que no sabe nada de nada, mas
sabe o jargo. E passa por autoridade no assunto. Um
refinamento ainda maior da espcie  o tipo que no sabe nem
o jargo. Mas inventa.
  Matias, voc que entende de mercado de capitais...
 Nem tanto, nem tanto...
(Uma das caractersticas do Falso Entendido  a falsa
modstia.)
 Voc, no momento, aconselharia que tipo de aplicao?
 Bom. Depende do yield pretendido, do throwback e
do ciclo refratrio. Na faixa de papis top market  ou o que
ns chamamos de topi-marque , o throwback recai sobre o
repasse e no sobre o release, entende?
 Francamente, no.
A o Falso Entendido sorri com tristeza e abre os braos
como quem diz: " difcil conversar com leigos...". Ilustrao: Alcy
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Uma variao do Falso Entendido  o sujeito que
sempre parece saber mais do que ele pode dizer. A conversa
 sobre poltica, os boatos cruzam os ares, mas
ele mantm um discreto silncio. At que algum
pede a sua opinio e ele pensa muito antes de se
decidir a responder:
 H muito mais coisa por trs disso do que vocs
pensam...
Ou ento, e esta  mortal:
 No  to simples assim...
Faz-se aquele silncio que precede as grandes
revelaes, mas o Falso Informado no diz nada. Fica
subentendido que ele est protegendo as suas fontes
em Braslia.
E h o Falso que interpreta. Para ele tudo o que
acontece deve ser posto na perspectiva de vastas transformaes
histricas que s ele est sacando.
 O avano do socialismo na Europa ocorre em proporo
direta ao declnio no uso de gordura animal nos
pases do Mercado Comum. S no v quem no quer.
E se algum quer mais detalhes sobre a sua inslita
teoria, ele v a pergunta como manifestao de uma hostilidade
bastante significativa a interpretaes no ortodoxas,
e passa a interpretar os motivos de quem o
questiona, invocando a Igreja medieval, os grandes
hereges da histria, e vocs sabiam que toda a
Reforma se explica a partir da priso de ventre de
Lutero?
Mas o jargo  uma tentao. Eu, por exemplo,
sou fascinado pela linguagem nutica, embora minha
experincia no mar se resuma a algumas passagens em
transatlnticos onde a nica linguagem tcnica que voc
precisa saber  "Que horas servem o buf?" Nunca pisei
num veleiro e se pisasse seria para dar vexame na pri-
Cultura e Trabalho  21
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Texto 8 / Cultura do trabalho
 Cultura e Trabalho 22
meira onda. Eu enjo em escada rolante. Mas, na minha
imaginao, sou um marinheiro de todos os calados. Senhor
de ventos e de velas e, principalmente, dos especialssimos
nomes da equipagem.
Me imagino no leme do meu grande veleiro, dando
ordens  tripulao:
 Recolher a traquneta!
 Largar a vela bimbo, no podemos perder esse Vizeu.
O Vizeu  um vento que nasce na costa ocidental da
frica, faz a volta nas Malvinas e nos ataca a boribordo,
cheirando a especiarias, carcaas de baleia e, estranhamente,
a uma professora que eu tive no primrio.
 Quebrar o lume da alcatra e baixar a falcatrua!
 Cuidado com a sanfona de Abelardo!
A sanfona  um perigoso fenmeno que ocorre na vela
parruda em certas condies atmosfricas e que, se no contido
a tempo, pode decapitar o piloto. At hoje no encontraram
a cabea do comodoro Abelardo.
 Cruzar a spnola! Domar a esptula! Montar a sirigaita!
Tudo a macambzio e dois quartos de trela seno afundamos,
e o capito  o primeiro a pular.
 Cortar o cabo de Eustquio!
Extrado do Livro As Mentiras que os Homens Contam, de Luis Fernando Verissimo.
Ilustrao: Alcy
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Cultura e Trabalho  23
CLASSE OPERRIA
Cultura poltica
TEXTO 9
Sobe no palco o cantor engajado Tom Z,
que vai defender a classe operria,
salvar a classe operria
e cantar o que  bom para a classe operria.
Nenhum operrio foi consultado
no h nenhum operrio no palco
talvez nem mesmo na platia,
mas Tom Z sabe o que  bom para os operrios.
Os operrios que se calem,
que procurem seu lugar, com sua ignorncia,
porque Tom Z e seus amigos
esto falando do dia que vir
e na felicidade dos operrios.
Se continuarem assim,
todos os operrios vo ser demitidos,
talvez at presos,
porque ficam atrapalhando
Tom Z e o seu pblico, que esto cuidando
do paraso da classe operria.
Distante e bondoso, Deus cuida de suas ovelhas,
mesmo que elas no entendam seus desgnios.
E assim, depois de determinar
qual  a poltica conveniente para a classe operria,
Tom Z e o seu pblico se sentem reconfortados e felizes
e com o sentimento de culpa aliviado.
Tom Z Ilustrao: Alcy
9CA09TXT14P4.qxd 12/13/06 11:18 AM Page 23
Festas populares
TEXTO 10
 Cultura e Trabalho 24
Ilustra: Alcy
OKTOBERFEST
10CA09TXT29P4.qxd 12/15/06 9:40 PM Page 24
Todo ano, em outubro, Santa Catarina
se mobiliza em torno de um roteiro de
quinze festas que movimentam sua
economia, gerando empregos e desenvolvendo
o turismo, alm de renovar os laos
culturais que unem os descendentes de imigrantes
alemes que colonizaram o estado.
Apesar de ser a mais famosa, a festa de
Blumenau no foi a primeira que inaugurou
o circuito. Antes dela, a pequena cidade
de Itapiranga, no oeste de Santa Catarina,
realizava a primeira Oktoberfest do
Brasil no ano de 1978. Se bem que o grande
impulso veio mesmo com a de Blumenau,
cuja primeira edio aconteceu no
ano de 1984. Inspirados pela tradio da
festa homnima realizada na cidade alem
de Munique, os blumenauenses decidiram
fazer uma grande festa da cerveja no ms
de outubro para comemorar a reconstruo
da cidade depois de duas grandes enchentes,
a primeira ocorrida em 1983, a segunda
no prprio ano de 1984.
Assim nasceu uma nova "indstria" catarinense,
a das festas de outubro. J na
primeira edio, a Oktoberfest de Blumenau
reuniu 102.000 pessoas, que consumiram
103.000 litros de chope.
De l para c, os nmeros foram se
multiplicando e hoje ela  a segunda maior
festa do chope no mundo, perdendo apenas
para a original, de Munique. No Brasil,
 a segunda maior festa popular, depois do
Carnaval. At 2004, a Oktoberfest j havia
recebido um pblico total de 14 milhes de
pessoas que consumiram, nas 21 edies, 8
milhes de litros de chope.
Seu grande diferencial  reunir um
pblico extremamente diversificado. Os
turistas do Brasil e do exterior aparecem
em grupos familiares, excurses de jovens,
nibus fretados por entidades da terceira
idade, que vo, todos, alm de consumir
muito chope e experimentar a cozinha alem,
acompanhar as apresentaes de msica
e dana tpicas.
Fonte P http://www.anamatra.org.br
Cultura e Trabalho  25
Outubro, plena primavera, transforma
Blumenau, a bela cidade catarinense do
Vale do Itaja, numa das vilas-prespios
da Baviera.
Foto: Epitcio Pessoa / AE
10CA09TXT29P4.qxd 12/15/06 9:41 PM Page 25
Foi numa Semana Santa
Tava o cu em orao
So Pedro estava na porta
Refazendo anotao
Daqueles santos faltosos
Quando chegou Lampio.
Pedro pulou da cadeira
Do susto que recebeu
Puxou as cordas do sino
Bem forte nele bateu
Uma legio de santos
Ao seu lado apareceu.
So Jorge chegou na frente
Com sua lana afiada
Lampio baixou os culos
Vendo aquilo deu risada
Pedro disse: Jorge expulse
Ele da santa morada..
E tocou Jorge a corneta
Chamando sua guarnio
Numa corrente de fora
Cada santo em orao
A CHEGADA DE
LAMPIO NO CU
Cultura popular
TEXTO 11
 Cultura e Trabalho 26
Guaipuan Vieira
11CA09TXT12P4.qxd 12/13/06 11:58 AM Page 26
Pra que o santo Pai Celeste
No ouvisse a confuso.
O peloto apressado
Ligeiro marcou presena
Pedro disse a Lampio:
Eu lhe peo com licena
Saia j da porta santa
Ou haver desavena.
Lampio lhe respondeu:
Mas que santo  o senhor?
No aprendeu com Jesus
Excluir dio e rancor?...
Trago paz nesta misso
No precisa ter temor.
Disse Pedro isso  blasfmia
 bastante astucioso
Pistoleiro e cangaceiro
Esse povo  impiedoso
No ganharo o perdo
Do santo Pai Poderoso
Inda mais tem sua m fama
Vez por outra comentada
Quando h um julgamento
Duma alma to penada
Porque fora violenta
Em sua vida  baseada.
 Sei que sou um pecador
O meu erro reconheo
Mas eu vivo injustiado
Um julgamento eu mereo
Pra sanar as injustias
Que s me causam tropeo.
Mas isso no faz sentido
Falou So Pedro irritado
Por uma tribuna livre
Voc aqui foi julgado
E o nosso Onipotente
Deu seu caso encerrado.
 Como fazem julgamento
Sem o ru estar presente?
Sem ouvir sua defesa?
Isso  muito deprimente
Voc Pedro est mentindo
Disso nunca esteve ausente.
Sobre o batente da porta
Pedro bateu seu cajado
De raiva deu um suspiro
E falou muito exaltado:
Te excomungo Virgulino
Cangaceiro endiabrado.
Houve um grande rebulio
Naquele exato momento
So Jorge e seus guerreiros
Cada qual mais violento
Gritaram pega o jaguno
Ele aqui no tem talento.
Lampio vendo o afronto
Naquela santa morada
Disse: Deus no est sabendo
Do que h na santarada
Bateu mo no velho rifle
Deu pra cima uma rajada.
O pipocado de bala
Vomitado pelo cano
Clareou toda a fachada
Do reino do Soberano
Cultura e Trabalho  27
11CA09TXT12P4.qxd 12/13/06 11:59 AM Page 27
Texto 11 / Cultura popular
 Cultura e Trabalho 28
A guarnio assombrada
Fez Pedro mudar de plano.
Em um quarto bem acstico
Nosso Senhor repousava
O silncio era profundo
Que nada estranho notava
Sem dvida o Pai Celeste
Um cansao demonstrava.
Pedro j desesperado
Ligeiro chamou So Joo
Lhe disse sobressaltado:
V chamar Ccero Romo
Pra acalmar seu afilhado
Que s causa confuso.
Resmungando bem baixinho
Pra raiva poder conter
Falou para Santo Antnio:
No posso compreender
Este padre no  santo
O que aqui veio fazer?!
Disse Antnio: fale baixo
De Jos  convidado
Ele aqui ganhou adeptos
Por ser um padre adorado
No Nordeste brasileiro
Onde  santificado.
Padre Ccero experiente
Recolheu-se ao aposento
Fingindo no saber nada
Um plano traava atento
Pra salvar seu afilhado
Daquele acontecimento.
Logo Joo bateu na porta
Lhe transmitindo o recado
Ccero disse: v na frente
Fique despreocupado
Diga a Pedro que se acalme
Isso j ser sanado.
Alguns minutos o padre
Com uma Bblia na mo
Ao ver Pedro lhe indagou:
O que h para aflio?
Quem l fora tenta entrar
 tambm um ser cristo,
So Pedro disse: absurdo
Que terminou de falar
Mas Ccero foi taxativo:
Vim a confuso sanar
S escute o ru primeiro
Antes de voc julgar.
No precisa ele entrar
Nesta sagrada manso
O receba na guarita
Onde fica a guarnio
Com certeza h muitos anos
Nos busca aproximao.
Vou abrir esta exceo
Falou Pedro insatisfeito
O nosso reino sagrado
Merece muito respeito
Virou-se para So Paulo:
V buscar este sujeito.
Lampio tirou o chapu
Descalo tambm ficou
Avistando o seu padrinho
Aos seus ps se ajoelhou
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Cultura e Trabalho  29
O encontro foi marcante
De emoo Pedro chorou
Ao ver Pedro transformado
Levantou-se e foi dizendo:
Sou um homem injustiado
E por isso estou sofrendo
Circula em torno de mim
S mesmo o lado ruim
Como heri no esto me vendo.
Sou o Capito Virgulino
Guerrilheiro do serto
Defendi o nordestino
Da mais terrvel aflio
Por culpa duma polcia
Que promovia malcia
Extorquindo o cidado.
Por um cruel fazendeiro
Foi meu pai assassinado
Tomaram dele o dinheiro
De duro servio honrado
Ao vingar a sua morte
O destino em m sorte
Da lei me fez um soldado.
Mas o que devo a visita
Pedro fez indagao
Lampio sem bater vista:
V padim Cio Romo
Pra antes do ano novo
Mandar chuva pro meu povo
Voc s manda trovo
Pedro disse:  malcriado
Nem o diabo lhe aceitou
Saia j seu excomungado
Sua hora j esgotou
Volte l pro seu Nordeste
Que s o cabra da peste
Com voc se acostumou.
FIM
Extrado de www.dominiopublico.com.br
Ttulo: A Chegada de Lampio no Cu
Autor: Guaipuan Vieira
Categoria: Literatura de Cordel - 32 pginas
Idioma: Portugus
11CA09TXT12P4.qxd 20.01.07 13:35 Page 29
Amais recente pesquisa de Augusto
Boal e da Equipe do CTORio, os alicerces
tericos e os primeiros resultados
dessa experincia esto registrados
no livro Aesthetics of the Oppressed, lanado
pela editora Routledge, em Londres, Reino
Unido, em maro de 2006.
A esttica do oprimido tem por fundamento
a certeza de que somos todos melhores
do que pensamos ser, capazes de fazer
mais do que realizamos, porque todo ser
humano  expansivo.
Mais do que simples atores
A esttica do oprimido visa promover
a expanso da vida intelectual e esttica de
participantes de Grupos Populares de Teatro
do Oprimido, evitando que exercitem
apenas a funo de ator, que representa
personagens no palco. Os integrantes desses
grupos so estimulados, atravs de
meios estticos, a expandirem a capacidade
de compreenso do mundo e as possibilidades
de transmitirem aos demais membros
de suas comunidades  bem como aos
de outras  os conhecimentos adquiridos,
descobertos, inventados ou reinventados.
A esttica do oprimido baseia-se na
idia de que o Teatro do Oprimido  um
teatro essencial  no sentido de estar na
essncia prpria do ser humano. Trata-se
do teatro que todo ser humano , por sua
capacidade de ver-se agindo, de ser espectador
de si prprio. De se separar em ator
e espectador para multiplicar a capacidade
de entender sua prpria ao.
ESTTICA
DO OPRIMIDO
A arte e o trabalho
TEXTO 12
 Cultura e Trabalho 30
Para alm
do palco fica
o ser integral
12CA09TXT19P4.qxd 12/13/06 11:21 AM Page 30
O ser humano, diferentemente de todas
as outras espcies de animais,  capaz
de se ver agindo, de analisar a situao em
que se encontra e, como um diretor, dirigir
a ao. Como figurinista tenta adequar sua
aparncia  situao e ao cenrio onde vai
atuar. Como dramaturgo produz o texto
conforme a ocasio. Como ser humano 
capaz de representar a realidade, recriar o
real em imagem, para entender sua existncia
e imaginar sua ao futura.
Recriar o mundo
O Teatro do Oprimido atua nesse sentido,
estimulando as pessoas a descobrirem
o que j so, a revelarem para si prprias
que so potncia, que, por serem capazes
de metaforizar o mundo, ou seja, de represent-
lo, so capazes de recri-lo. O objetivo
 que essa descoberta ou redescoberta
permita que cada um se aproprie do que originalmente
 seu: a capacidade de ver-se
agindo, de analisar e recriar o real, de imaginar
e inventar o futuro. Para ajudar cada
um a descobrir essa potncia e capacidade
transformadora, promovem-se atividades
artsticas em quatro eixos:
1. Palavra: falada/escrita: os participantes produzem
poesias, poemas, reflexes: o que
mais me impressionou (relato sobre situaes
que impressionam os participantes no
dia-a-dia), declarao de identidade
(carta para algum interlocutor  conhecido
ou no  com descrio do remetente), artigos,
contos, alm de textos dos espetculos.
Cultura e Trabalho  31
Augusto Boal dirigindo Srgio Ricardo no Teatro de Arena. So Paulo, 1968.
12CA09TXT19P4.qxd 20.01.07 13:40 Page 31
2. Imagem: atividades de artes plsticas,
com produes de desenhos, figuras,
criao de esculturas a partir de objetos
encontrados; fotografia  anlise do
mundo que nos cerca e, criao de
cenas e espetculos.
3. Som: sonoridade: pesquisa sonora, descoberta
do potencial da voz, instrumentos
existentes / inventados, msica e
criao de dana a partir de movimentos
da vida cotidiana.
4. tica: dilogos / conversao: promoo
de encontros com especialistas e promoo
de centros de estudos de: filosofia,
histria, ecologia, economia, poltica e
vida social.
O trabalho da esttica do oprimido vem
sendo desenvolvido de maneira experimental
desde 2003, com integrantes dos Grupos
Populares de Teatro de Oprimido coordenados
pelo CTO  Rio, no Rio de Janeiro,
assim como em workshops internacionais.
Teatro do Oprimido
Mtodo esttico que sistematiza exerccios,
jogos e tcnicas teatrais que objetivam
a desmecanizao fsica e intelectual
de seus praticantes, e a democratizao do
teatro. O TO cria condies prticas para
que o oprimido se aproprie dos meios de
produzir teatro e assim amplie suas possibilidades
de expresso. Alm de estabelecer
uma comunicao direta, ativa e propositiva
entre espectadores e atores.
Fonte P www.ctorio.org.br
Texto 12 / A arte e o trabalho
 Cultura e Trabalho 32
Compem a metodologia
Teatro jornal
Conjunto de nove tcnicas para teatralizar notcias de
jornal e para perceber o significado oculto de cada
uma. Criada em 1971, no teatro de Arena de So
Paulo, esta tcnica foi muito usada na poca da ditadura
militar brasileira para revelar informaes distorcidas
pelos jornais  poca, todos sob censura oficial.
Teatro imagem
Tcnica teatral que transforma questes, problemas e
sentimentos em imagens concretas.A partir de leitura
da linguagem corporal, busca-se a compreenso dos
fatos, porque a imagem  real enquanto imagem.
Teatro invisvel
Teatralizao de uma cena do cotidiano apresentada
no local onde realmente poderia acontecer, sem que
se identifique como evento teatral. Desta forma, os
espectadores so reais participantes, reagindo e opinando
espontaneamente  discusso provocada pela
encenao.
12CA09TXT19P4.qxd 12/13/06 11:21 AM Page 32
Cultura e Trabalho  33
Ointeresse pela Festa do Peo de
Boiadeiro de Barretos pode ser avaliado
pelo nmero de visitas: 63,7%
j participaram de mais de quatro edies
do evento; 98,1% pretendem retornar; e
96,7% afirmaram que suas expectativas
foram atendidas.
Considerando que a Festa do Peo de
Boiadeiro de Barretos de 2003 recebeu
682.346 participantes, sendo 43,3% visitantes,
foram 387.000 as pessoas que precisaram
pernoitar na regio durante cinco
dias, em mdia. Tambm em mdia, esses
visitantes gastaram 580 reais cada um, uma
vez que eles desembolsaram 180 milhes de
reais. Desse total, 26,3% foram gastos na
viagem para l, 73,7% permanecendo na
cidade, o equivalente a 133 milhes de reais.
A gerao de empregos temporrios
tambm foi significativa: 4.600 empregos,
um aumento de 13% na oferta de
vagas na cidade.
Extrado do site www.revistadoseventos.com.br
NEM TUDO
 BRINCADEIRA...
A Festa do Peo, de
Barretos, SP, cria 4.600
empregos temporrios
todos os anos
Festas populares
TEXTO 13
Festa do Peo de Boiadeiro de Barretos.
Foto: Sergio Castro / AE
13CA09TXT27P4.qxd 12/13/06 11:23 AM Page 33
ACARAJ
Regio Nordeste
Ingredientes
 1/2 kg de feijo-fradinho
 1 cebola grande
 3 dentes de alho
 leo e azeite de dend
 sal
Preparo
P Coloca-se o feijo-fradinho de molho em
gua fria, durante 2 horas.
P Quando o feijo comear a inchar, lava-se
com gua fria, at soltar toda a casca.
P Mi-se o feijo sem casca num moinho especial,
ou em processador, at formar
uma massa branca e espessa,  qual acrescentam-
se cebola, alho e sal, que antes
foram passados no liquidificador.
P Pe-se em um tacho ou frigideira funda
leo e azeite de dend no fogo, e quando
comear a ferver, colocam-se pequenas
pores de massa retiradas com colher.
P Depois de frito, o acaraj fica com uma tonalidade
avermelhada por fora e branca por dentro.
P Este bolinho deve ser servido com molho
de pimenta, molho de camaro seco, vatap
e salada (tomate e cebola picados).
A GEOGRAFIA
DO SABOR
Cultura e culinria
TEXTO 14
 Cultura e Trabalho 34
NORTE
NORDESTE
CENTRO-OESTE
SUDESTE
SUL
Um mapa
gastronmico
do Brasil
14CA09TXT15P4.qxd 12/13/06 11:24 AM Page 34
MANIOBA
Regio Norte
(15 pores)
Ingredientes
 20 maos grandes de folha de maniva
(mandioca)
 1/2 kg de toucinho fresco, de porco,
sem o couro
 1 kg de lombinho de porco
 1 kg de lingia de porco fresca
 1 kg de costelas de porco frescas
 1/2 kg de chourio
 1 kg de bucho
 1 kg de charque magro
 250 g de toucinho defumado magro
 2 rabos de porco frescos
 3 paios
 3 folhas grandes de louro
 2 cebolas grandes
 4 dentes de alho grandes
 1 pimento verde grande
 3 tomates grandes, maduros e firmes
 1 colher (sopa) bem cheia
de banha de porco
 1 colher (ch) cheia de cominho em p
 pimenta-do-reino preta em gros
 sal
Preparo
P Lave bem as folhas de maniva sem os talos
e passe pela mquina de moer carne,
chapa fina. Coloque em um panelo com
bastante gua. Logo que ferver, junte 1 colher
(sopa) cheia de sal e o toucinho fresco
cortado em pedaos pequenos. Cozinhe
em fogo bem brando durante quatro dias.
 medida que for secando, acrescente
mais gua. No quarto dia, escalde trs
vezes as carnes.
P Lave bem o charque para retirar o excesso
de sal. Corte o lombinho, o bucho e o charque
limpos, em pedaos mdios.
P Corte a lingia em roletes e separe as costelas
de duas em duas.
P Acrescente  maniva primeiro as carnes
mais duras (como o charque) e depois os
rabinhos de porco, as costelas, o bucho e
o lombinho de porco.
P Por ltimo, acrescente a lingia, o chourio,
o pedao de toucinho defumado sem
o couro e os paios inteiros.
P Na panela, coloque o louro aos pedaos e
gua que d para cobrir as carnes.
P Quando tudo estiver cozido  v acrescentando
um pouco mais de gua conforme o
necessrio  e quase sem caldo, derreta a
banha de porco, esquente e doure o alho
Cultura e Trabalho  35
14CA09TXT15P4.qxd 12/13/06 11:24 AM Page 35
socado com 1 colher (sopa) cheia de sal,
junto com as cebolas batidinhas.
P Junte o pimento e os tomates bem picados,
tempere com o cominho e 1 colher (ch)
cheia de pimenta-do-reino moda na hora.
P Refogue tudo muito bem e misture com a
manioba. Mexa e prove o sal. Sirva quente,
com arroz branco simples, farinha-dgua e
molho de pimenta.
PAMONHADA
Regio Centro-Oeste
(12 pores)
Ingredientes
 36 espigas de milho verde duro, com as
palhas
 1/2 kg de banha de porco
 1 queijo minas
 sal
Preparo
P Rale o milho e raspe os sabugos com faca
afiada. Derreta e esquente a banha de
porco e misture com a massa de milho.
P Tempere com sal, a gosto.
P Acrescente o queijo cortado em cubinhos
e mexa bem. Separe as palhas de milho
mais tenras, as que ficam mais prximas
do sabugo. Ajeite uma palha dentro da
outra, com as pontas para fora.
P Coloque no centro das palhas casadas uma
concha rasa de massa de milho.
P Dobre as bordas e as pontas para dentro, uma
sobre a outra, e amarre como um embrulhinho.
Cozinhe em bastante gua fervente.
P A pamonha est cozida quando a palha
ficar toda amarela e meio murcha. Retire
para uma peneira de tala e deixe escorrer.
Sirva quente, morna ou fria.
P No lugar de queijo, pode-se empregar carne
de porco (1 kg) picadinha e frita, ou
lingia de porco (1 kg) cortada em rodelinhas
e tambm frita.
VIRADO  PAULISTA
Regio Sudeste
(12 pores)
Ingredientes
 1 kg de feijo-mulatinho selecionado e
lavado
Texto 14 / Cultura e culinria
 Cultura e Trabalho 36
14CA09TXT15P4.qxd 12/13/06 11:24 AM Page 36
 3 folhas grandes de louro
 6 dentes de alho grandes
 2 cebolas grandes
 1 mao bem grande de cebolinha verde
 1 kg de toucinho defumado magro e
sem o couro
 o couro do toucinho
 farinha de milho flocada
(amarela ou branca)
 pimenta-do-reino preta em gros
 sal
Preparo
P Cozinhe o feijo em 3 litros de gua com
1 colher (sopa) cheia de sal, o louro e o
couro do toucinho, at que os gros
estejam macios, porm inteiros.
P Pique o toucinho em bastes curtos e
grossos e frite at obter torresmos bem
sequinhos.
P Soque o alho com 1 colher (ch) rasa de
pimenta-do-reino moda na hora e com
1 colher (sopa) cheia de sal. Doure essa
pasta de alho na gordura dos torresmos,
junto com as cebolas batidinhas.
P Misture esse refogado com os gros do
feijo (apenas os gros) e acrescente a
cebolinha cortada miudinho e 3 xcaras
cheias com o caldo do feijo.
P Abaixe o fogo de mdio para brando e
v adicionando farinha de milho, sem
parar de mexer com colher de pau at
obter um virado bem mido. Sirva bem
quente, com os torresmos por cima.
SIRI NO BAFO
Regio Sul
(8 pores)
Ingredientes
 24 siris
 4 limes grandes, cortados em gomos
Preparo
P Ferva bastante gua num caldeiro grande
colocado sobre a trempe de trs pedras
sob a qual se armou o fogo forte.
P Cubra o caldeiro com uma peneira grande,
de tala, e a v arrumando aos poucos
os siris bem lavados.
P Quando os siris ficarem vermelhos,  sinal
de que esto no ponto.
P Quebra-se a carapaa do siri com uma
pedra limpa e come-se a carne com suco
de limo.
P Se julgar necessrio, prepare um molho
de pimenta fresca para acompanhar os
siris. E sirva, tambm, farinha de mandioca
branca e crua.
Texto escrito por Pgina Viva.
Cultura e Trabalho  37
14CA09TXT15P4.qxd 20.01.07 13:54 Page 37
Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros esto nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilnia vrias vezes destruda. Quem a
reconstruiu tantas vezes? Em que casas da Lima
dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que
a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma est cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre quem triunfaram os
csares?
A decantada Bizncio tinha somente palcios para
os seus habitantes? Mesmo na lendria Atlntida
os que se afogavam gritaram por seus escravos
na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a ndia.
Sozinho?
Csar bateu os gauleses.
No levava nem sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
naufragou. Ningum mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu alm dele?
Cada pgina uma vitria.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?
Tantas histrias.
Tantas questes.
Bertold Brecht (1898/1956): Dramaturgo e poeta alemo, foi um dos maiores
crticos sociais de seu tempo, e ficou conhecido pelo estilo irnico de sua obra,
que inclui letras de msicas
PERGUNTAS
DE UM
TRABALHADOR
QUE L
Cultura poltica
TEXTO 15
 Cultura e Trabalho 38
Bertold Brecht
15CA09TXT23P4.qxd 12/13/06 12:01 PM Page 38
Histria da cultura
TEXTO 16
Cultura e Trabalho  39
The English language industry grows everyday. Nowadays it is
possible to find dictionaries specialized in just about anything:
ghetto slang, cockney, dialects in Australia, British regionalisms,
football, cricket, cell phone messages and even insults and dirty
words. Everything properly published thanks to the Internet.
With modern technology and globalisation,
English today has more
words than ever. French has fewer
than 100,000 words, and German around
185,000, but the new Oxford English
Dictionary will contain over 500,000 words.
How can dictionaries keep up?
Computer dictionaries offer definitions,
contexts and pronunciations at the click of
a button. But we still love the printed
books, and last years Christmas market
sold a innumerous alternative dictionaries:
for sports, slang, text messages and trivia.
Football crazy
Football is known as the beautiful
game in England, but English footballers
are not usually fans of literature. When Eric
Cantona declared that his idol was
Rimbaud (the poet), Leeds United fans sent
THE SLANG INDUSTRY
16CA09TXT04P4.qxd 12/13/06 12:02 PM Page 39
Rimbaud (the poet), Leeds United fans sent
him photos of Sylvester Stallone playing
Vietnan war hero, Rambo.
Nonetheless, Professors John Leigh and
David Woodhouse have been studying the
clichs used by commentators, managers
and players. The dictionary, called Football
Lexicon, captures a much-loved part of
British culture. This ironic analysis of the
games curious syntax has transformed
their alternative dictionary into a bestseller.
A nice book for any football fan, said
The Guardian newspaper. Everyone who
wants to be a football commentator must
immediately memorize the dictionary. The
authors also published a Racing Lexicon
(thats horse-racing, of course). A Cricket
Lexicon is promised for next Christmas.
A similar publishing sensation is
Schotts Original Miscellany. Encyclopaedias,
such as Britannica, have been popular
for general knowledge, while almanacs
offer information on world politics and
culture (example: Pears Cyclopedia, published
by Penguin).
But Schotts Miscellany has no intention
to be useful, only interesting. What other
book lists the peculiar deaths of Tibetan
kings, the twelve labours of Hercules, and
the supplier of bagpipes to the Queen?
The book takes advantage of our mania
for trivia  useless information. When the
British are not at home watching Who
Wants to be a Millionaire? on TV, they like
a pub quiz, demonstrating what they know
to win beer, money or just glory.
Other popular products include encyclopaedias
of music, films, sports, literature,
idioms and quotations. Try Leonard
Maltins Movie & Video Guide (Signet), the
Texto 16 / Histria da cultura
 Cultura e Trabalho 40
Ilustrao: Alcy
16CA09TXT04P4.qxd 20.01.07 13:42 Page 40
Maltins Movie & Video Guide (Signet), the
Larousse Dictionaries of Writers, Literature
and Folklore, or the Guinness Book of Hit
Singles.
L8R...
Slang is a favourite. Black Slang has an
enormous audience because of music, especially
rap and hip-hop. Cockney slang is
also famous, but not many people know
about the incredible regional variations in
English.
If youre interested in the Antipodes,
there are comical dictionaries of Strine,
or Australian English. You can buy phrase
books for United Kingdom regions, for
example Lancashire in the north of England
(Lankie Twang, by Ron Freethy, published
by Countryside Books.) Scottish English
even has some fridge magnets.
Collins Texting Dictionary explains SMS
abbreviations and emoticons (those funny
keyboard signs). Do you recognise L8R as
later? LOL is laughing out loud or
loads of love. And dont forget LMIRL:
lets meet in real life.
For crude language, turn to the Viz
Profanisaurus (John Brown): not just a list
of rude words, but suggestive phrases typical
of British humour.
We love lexicons
There are different ways consult words.
To compete with the Internet, English
learners dictionaries include CD-Roms:
they contain definitions and register
(formal, slang, derogatory), you hear the
pronunciation.
Rogets Thesaurus is an old favourite
when you cant define the correct word.
When you know the general idea, but not
the word, you need a Reverse Dictionary.
There are lists of synonyms and antonyms;
rhyming dictionaries for songwriters; and
crossword solvers.
Those people who believed the Internet
was the end of dictionaries couldnt
have been more wrong.
Cultura e Trabalho  41
GLOSSARY
the Antipodes. antigo nome da
Australia
fridge magnets. ims de geladeira
keep up. manter-se atualizado
labours. trabalhos, faanhas
laughing out loud. rindo alto
nonetheless. no entanto
quotations. citaes
supplier of bagpipes. fornecedor de
gaitas foles
Thesaurus. dicionrio de sinnimos
text messages. MMS, texto p/ celular
trivia. curiosidades
Fonte P Matria publicada na revista Speak Up edio 231 -
agosto/2006
16CA09TXT04P4.qxd 12/13/06 12:02 PM Page 41
O autor
Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892, na
cidade de Quebrngulo, Alagoas, filho de Sebastio Ramos
de Oliveira e de Maria Amlia Ferro Ramos. Dois anos depois,
a famlia muda-se para Buque, Pernambuco, e logo depois volta
para Alagoas, morando em Viosa e Palmeira dos ndios at 1914.
Graciliano estuda, ento, e trabalha na loja do pai comerciante.
Em 1914, vai para o Rio de Janeiro, onde mora durante um
ano e trabalha como jornalista. No ano seguinte, volta para Palmeira
dos ndios e se casa com Maria Augusta Barros, que morre cinco
anos depois. Graciliano j, nessa poca, escreve para jornais e trabalha
com comrcio.
Seu segundo casamento, com Helosa Medeiros, ocorre em
1928, no mesmo ano em que  eleito prefeito de Palmeira dos
ndios, cidade que seria palco de seu primeiro romance Caets.
Em 1930, renuncia  prefeitura e vai para Macei, onde 
nomeado diretor da Imprensa Oficial, mas demite-se no ano seguinte,
voltando em seguida para Palmeiras dos ndios, onde funda uma
escola e escreve o romance So Bernardo.
Regionalidades
TEXTO 17
 Cultura e Trabalho 42
VIDAS SECAS
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Em 1933,  nomeado diretor da Instruo Pblica de Alagoas e
volta a Macei. Sua carreira  interrompida em 1936, quando 
demitido por motivos polticos. Nesse mesmo ano, publica o romance
Angstia e acaba sendo preso e enviado ao Rio de Janeiro. Dessa
fase em que passa preso resultaria, mais tarde, seu livro Memrias
do Crcere.
Ao sair da priso, em 1937, passa a morar no Rio de Janeiro,
onde escreve para jornais. No ano seguinte, publica a obra Vidas
Secas, escrita num quarto de penso. Em 1939,  nomeado Inspetor
Federal do Ensino.
Em 1945, Graciliano entra para o Partido Comunista Brasileiro
e, sete anos depois, faz uma viagem a Tchecoslovquia e  Unio
Sovitica.
Graciliano Ramos morre em 20 de maro de 1953 sem nunca
ter retratado uma paisagem do Rio de Janeiro. Conta-se que certa
vez andava com um de seus filhos, a p, pela cidade. Chegaram a
Laranjeiras, onde moravam. O filho parou de repente e exclamou:
Como isso aqui  bonito!. Graciliano ficou surpreso e perguntou
se ele achava aquela cidade to bonita assim. Para Graciliano,
Alagoas era seu nico universo.
Trecho do livro
Fuga
Avida na fazenda se tornara difcil. Sinh Vitria benzia-se
tremendo, manejava o rosrio, mexia os beios rezando rezas
desesperadas. Encolhido no banco do copiar, Fabiano espiava
a caatinga amarela, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas
pelos redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros, torrados. No
cu azul as ltimas arribaes tinham desaparecido. Pouco a pouco
os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano resistia,
pedindo a Deus um milagre.
Mas quando a fazenda se despovoou, viu que tudo estava perdido,
combinou a viagem com a mulher, matou o bezerro morrinhento
que possuam, salgou a carne, largou-se com a famlia, sem se
Cultura e Trabalho  43
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Texto 17 / Regionalidades
 Cultura e Trabalho 44
despedir do amo. No poderia nunca liquidar aquela dvida exagerada.
S lhe restava jogar-se ao mundo, como negro fugido.
Saram de madrugada. Sinh Vitria meteu o brao pelo buraco
da parede e fechou a porta da frente com a taramela. Atravessaram
o ptio, deixaram na escurido o chiqueiro e o curral, vazios,
de porteiras abertas, o carro de bois que apodrecia, os juazeiros. Ao
passar junto s pedras onde os meninos atiravam cobras mortas,
Sinh Vitria lembrou-se da cachorra Baleia, chorou, mas estava
invisvel e ningum percebeu o choro.
Desceram a ladeira, atravessaram o rio seco, tomaram rumo
para o sul. Com a fresca da madrugada, andaram bastante, em
silncio, quatro sombras no caminho estreito coberto de seixos
midos  os meninos  frente, conduzindo trouxas de roupa, Sinh
Vitria sob o ba de folha pintada e a cabaa de gua, Fabiano atrs
de faco de rasto e faca de ponta, a cuia pendurada por uma correia
amarrada ao cinturo, o ai a tiracolo, a espingarda de pederneira
num ombro, o saco da malotagem no outro. Caminharam bem trs
lguas antes que a barra do nascente aparecesse.
Fizeram alto. E Fabiano deps no cho parte da carga, olhou o
cu, as mos em pala na testa. Arrastara-se at ali na incerteza de
que aquilo fosse realmente mudana. Retardara-se e repreendera
os meninos, que se adiantavam, aconselhara-os a poupar foras. A
verdade  que no queria afastar-se da fazenda. A viagem parecialhe
sem jeito, nem acreditava nela. Preparara-a lentamente, adiaraa,
tornara a prepar-la, e s se resolvera a partir quando estava
definitivamente perdido. Podia continuar a viver num cemitrio?
Nada o prendia quela terra dura, acharia um lugar menos seco
para enterrar-se. Era o que Fabiano dizia, pensando em coisas alheias:
o chiqueiro e o curral, que precisavam conserto, o cavalo de
fbrica, bom companheiro, a gua alaz, as catingueiras, as pane-
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Cultura e Trabalho  45
las de losna, as pedras da cozinha, a cama de varas. E os ps dele
esmoreciam, as alpercatas calavam-se na escurido. Seria necessrio
largar tudo? As alpercatas chiavam de novo no caminho coberto
de seixos.
Agora Fabiano examinava o cu, a barra que tingia o nascente,
e no queria convencer-se da realidade. Procurou distinguir qualquer
coisa diferente da vermelhido que todos os dias espiava, com
o corao aos baques. As mos grossas, por baixo da aba curva do
chapu, protegiam-lhe os ombros contra a claridade e tremiam.
Os braos penderam, desanimados.
 Acabou-se.
Antes de olhar o cu, j sabia que ele estava negro num lado,
cor de sangue no outro, e ia tornar-se profundamente azul. Estremeceu
como se descobrisse uma coisa muito ruim.
Desde o aparecimento das arribaes vivia desassossegado.
Trabalhava demais para no perder o sono. Mas no meio do servio
um arrepio corria-lhe no espinhao,  noite acordava agoniado e
encolhia-se num canto da cama de varas, mordido pelas pulgas,
conjecturando misrias.
A luz aumentou e espalhou-se pela campina. S a principiou a
viagem. Fabiano atentou na mulher e nos filhos, apanhou a espingarda
e o saco de mantimentos, ordenou a marcha com uma interjeio
spera.
(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 16. ed. So Paulo, Martins,
1967. p. 147-9).
Extrado e adaptado de
http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/vidassecas
17CA09TXT17P4.qxd 12/13/06 12:03 PM Page 45
Conceito
TEXTO 18
 Cultura e Trabalho 46
Cultura de massa  aquela dirigida s
maiorias, independentemente de diferenas
sociais, tnicas, etrias, sexuais
ou psicolgicas , e veiculada pelos meios
de comunicao de massa.
Cultura de massa e cultura popular
Antes de haver cinema, rdio e televiso,
usava-se a expresso cultura popular,
em oposio  cultura erudita das classes
aristocrticas; cultura nacional, componente
da identidade de um povo; cultura
clssica, conjunto historicamente definido
de valores estticos e morais; e um nmero
tal de culturas que, juntas e se cruzando,
formavam identidades diferenciadas
das populaes.
A chegada da cultura de massa, porm,
acaba submetendo as demais culturas a
FEITA PARA AS MASSAS
Pedestres assistem na loja G. Aronson, no centro da
capital paulista,  partida final do futebol feminino entre
Brasil x EUA, valendo medalha de ouro nas Olimpadas
de Atenas, Grcia, onde a seleo brasileira feminina de
futebol ficou com a medalha de prata.
Foto: Robson Fernandjes / AE
O desenvolvimento dos meios de comunicao criou a cultura da maioria
18CA09TXT13P4.qxd 12/13/06 12:04 PM Page 46
um projeto comum e homogneo  ou, pelo
menos, pretende essa submisso. Por ser
produto de uma indstria de porte internacional
(e, mais tarde, global), a cultura elaborada
pelos vrios veculos que foram surgindo
esteve sempre ligada ao poder
econmico do capital industrial e financeiro.
A massificao cultural, para melhor
servir a esse capital, reprimiu as demais formas
de cultura , de maneira que os valores
apreciados passassem a ser apenas os
compartilhados pela massa.
A cultura popular, produzida fora de
contextos institucionalizados ou mercantis,
teve de ser um dos objetos dessa represso.
Justamente por ser anterior, o popular era
tambm alternativo  cultura de massa, que
por sua vez pressupunha  originalmente 
ser hegemnica como condio essencial
de existncia.
O que a indstria cultural percebeu
mais tarde  que ela possua a capacidade
de absorver os antagonismos e propostas
crticas, em vez de combat-los. Dessa forma,
a cultura de massa alcanaria a hegemonia
 elevando ao seu prprio nvel de
difuso e exausto qualquer manifestao
cultural, e assim tornando qualquer uma
delas efmera e desvalorizada.
A censura, que antes era externa ao
processo de produo dos bens culturais,
passou a estar no bero dessa produo. A
cultura popular, em vez de recriminada por
ser de mau gosto ou de baixa qualidade,
foi deixada de lado a partir do argumento
mercadolgico do isto no vende mais 
depois de repetida at se exaurir de qualquer
significado ideolgico ou poltico.
No contexto da indstria cultural  da
qual a mdia  o maior porta-voz  so
totalmente distintos e independentes os
conceitos de popular e popularizado, j
que o grau de difuso de um bem cultural
no depende mais de sua classe de origem
para ser aceito por outra. A grande alterao
da cultura de massa foi transformar
todos em consumidores que so iguais e
livres para consumir os produtos que desejarem.
Dessa forma, pode haver o popular
(produto de expresso genuna da cultura
popular) que no seja popularizado
(que no venda bem, na indstria cultural)
e o popularizado que no seja popular
(vende bem, mas  de origem elitista).
Extrado do site http://pt.wikipedia.org
Cultura e Trabalho  47
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Renato Pompeu
As chamadas festas caipiras do Sudeste,
com seus bigodes pintados a
carvo e seus chapus de vaqueiro,
suas saias rodadas e seus rostinhos pintados
de carmim, so uma evoluo de
tradies coloniais que se mantm ainda
hoje no Nordeste: as festas juninas, ou festas
de junho, em que se homenageiam
Santo Antnio (13 de junho), So Joo (24
de junho) e So Pedro (29 de junho). As festas
de So Joo so chamadas tambm de
joaninas.
Na verdade, a origem remota dessas
festas  anterior ao cristianismo. Por volta
de 22 de junho comea o vero no Hemisfrio
Norte, na data do ano em que o dia
claro  mais longo e a noite  mais curta,
ou seja, o dia em que h mais sol. O incio
do vero, h milnios, era uma data
consagrada por vrias cerimnias em honra
aos deuses, em que se faziam oferendas
para que houvesse boas colheitas a partir
do outono. Quando o Ocidente foi cristianizado,
a Igreja se apropriou do chamado
solstcio de vero para transform-lo numa
festividade catlica. Hoje em dia, no Brasil,
muitas correntes evanglicas pregam a seus
Festas populares
TEXTO 19
 Cultura e Trabalho 48
CAI-CAI CAI-CAI
BALO BALO
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seguidores que no participem das festas
juninas, por suas origens pags e catlicas.
Na forma com que chegou ao Brasil e
ainda hoje  prevalente no Nordeste, com
quermesses e danas de quadrilhas, as
festas juninas tm origem na Frana
medieval, poca em que surgiram as danas
de passo marcado. Quando as festas
juninas chegaram  Espanha e a Portugal,
a essas caractersticas se acrescentou a
dana de fitas, comum na Idade Mdia nos
pases ibricos.
Foi dessa forma que as festas juninas
atravessaram o oceano e chegaram ao Brasil,
com os portugueses e com os espanhis.
Aqui, tendo-se conservado a memria de
que as festas estavam associadas ao calor
do vero, mas ocorrendo em meio ao frio
do inverno no Hemisfrio Sul, acrescentaram-
se as fogueiras e os fogos de artifcio,
esses trazidos pelos portugueses da
China. Tambm se juntaram os produtos da
terra: o quento (cachaa com canela), os
doces e salgados de milho (inclusive a
pipoca).
At os incios do sculo 20, no havia
grandes diferenas entre as festas juninas
nos vrios pontos do Brasil. Basta lembrar
o samba do carioca Noel Rosa, dos anos
1930: Nosso amor que eu no esqueo,/ e
que teve o seu comeo/ numa festa de So
Joo./ morre hoje sem foguete, sem retrato
e sem bilhete/ sem luar, sem violo.
Esses versos aludem aos costumes de se
fazerem feitios com o retrato da pessoa
amada e de se mandarem a ela bilhetes
annimos.
No Nordeste, alm de alegrar o povo,
as festas trazem importante contribuio
para a economia da regio, pois muitos
turistas visitam as cidades nordestinas para
acompanhar os festejos.
No Sudeste, porm, com os avanos da
industrializao e com a perda de contato
com as razes rurais, as festas juninas se
transformaram em festas caipiras, a cada
ano mais distantes de suas origens, a ponto
de se usarem chapus ao estilo dos cowboys
americanos.
Renato Pompeu  escritor e jornalista.
Cultura e Trabalho  49
19CA09TXT30P4.qxd 12/13/06 12:06 PM Page 49
Com a derrota na Copa do Mundo, o
Brasil, a "Ptria de Chuteiras", acorda
do sonho dos maravilhosos estdios
alemes para a realidade
econmica do futebol nacional.
Se a seleo canarinho
costuma ter uma trajetria
vitoriosa nas disputas campais
pelo mundo, o esporte
praticado nos clubes e nos
gramados locais tem um
longo caminho para encontrar
sucesso na gerao de
riquezas e empregos.
Se o uso poltico do
futebol no pode ser negado, o esporte
nmero 1 do brasileiro no se restringe a
isso. O antroplogo Roberto DaMatta afirmou
que o futebol tem a capacidade de
ensinar disciplina, regras de civilidade e
conduta social s massas. E no deu outra,
rapidamente, o brasileiro mestio e
pobre, habilidoso, colocou ginga nesse esporte
e viu nele a chance de conquistar
mobilidade social. O futebol  o carto de
passe livre "para o andar
de cima".  to comum
associar jogador brasileiro
 misria, que sempre
que surge um craque das
classes mais abastadas
causa estranhamento.
A dinmica peculiar
do futebol  ainda mais
complexa e, se no movimentamos
uma economia
condizente com a importncia
histrica da nossa seleo, tambm
no  pouco o que esse esporte gera por
aqui. Segundo dados da CBF  Confederao
Brasileira de Futebol , o nmero
de praticantes de futebol no Brasil  de
O SUOR DOS
BOLEIROS
Riquezas e misrias de uma paixo nacional
Futebol e trabalho
TEXTO 20
 Cultura e Trabalho 50
O futebol movimenta
em torno de 250 bilhes de
dlares anuais no mundo
todo. A fatia do bolo que cabe
ao Brasil  de 3,2 bilhes.
Menos de 2% do total.
Anderson Gurgel
20CA09TXT24P4.qxd 12/13/06 12:14 PM Page 50
cerca de 30 milhes de pessoas. Dessas, so
contabilizados profissionalmente 11.000
jogadores federados, oitocentos clubes
federados e por volta de 2.000 atletas atuando
em outros pases. O nmero de times
amadores que participam de jogos organizados
calcula-se por volta de 13.000.
Essa nao que joga bola pratica sua f
em uns trezentos estdios, com mais de 5
milhes de lugares. Sem falar nos poticos
campos e campinhos de "pelada", que existem
mesmo nos bolses de pobreza mais
inquietantes do Brasil  estimados em pelo
menos 20.000. Em conseqncia dessa demanda,
a CBF revela que so fabricados
anualmente no pas 3,3 milhes de chuteiras
para futebol de campo, alm de 6 milhes
de bolas de couro e 32 milhes de
camisetas alusivas a times e ao futebol.
Para os pesquisadores do Atlas do Esporte
Brasileiro, Ronaldo Helal, Antnio
Jorge Soares e Jos Geraldo Salles, devem
ser somados ainda os meros torcedores,
aqueles que exercitam somente o hbito de
ver os jogos sem suar a camisa. Com isso
tudo, no conjunto, os dados pesquisados
apontam que mais da metade da populao
tem vnculos com o futebol e faz girar a economia
desse esporte. Os estudiosos chegam
a dizer que a empregabilidade gerada pelo
futebol  elevada. Apresentaram dados, de
1998, j superados, produzidos pelo extinto
Instituto Nacional de Desenvolvimento do
Desporto (Indesp), vinculado ao Ministrio
do Esporte, dados que revelam 2.602 municpios
com espaos dedicados  prtica futebolstica
 perto de 47,3% do total do pas.
"Desse modo, o nmero mnimo de
empregos diretos do esporte em questo
pode ser estimado em 150.000 pessoas",
completam.
Anderson Gurgel  reprter.
Extrado do site http://www.desafios.org.br/
Cultura e Trabalho  51
20CA09TXT24P4.qxd 20.01.07 13:49 Page 51
Este ensaio foi pretensiosamente pensado
de forma que fugisse do senso comum
das fotografias de folguedos  se  que isso
seja possvel. O que se constri imageticamente
ao falar de tirar fotos de maracatu
so apresentaes feitas sob contrato nas
praas pblicas de cidades vizinhas.
A idia  documentar o que acontece
antes dessas apresentaes.
No domingo de Carnaval, os maracatus
de Pernambuco se despedem de seus
locais de origem e famlias para comear a
peregrinao em cidades do interior do
Estado at chegar  capital, Recife.
ENSAIO:
OMARACATU
Rodrigo Pires
Festas populares
TEXTO 21
 Cultura e Trabalho 52
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Cultura e Trabalho  53
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Texto 21 / Festas populares
 Cultura e Trabalho 54
21CA09TXT18P4.qxd 12/13/06 12:16 PM Page 54
Cultura e Trabalho  55
As fotos fazem parte de um projeto
de documentao dos maracatus
que ainda possuem suas sedes nos
locais de origem da agremiao, e
foram feitas em Aliana, cidade de origem
do Maracatu Estrela de Ouro, e no
Engenho Cumbi, em Nazar da Mata,
casa do Cambinda Brasileira, o maracatu
mais antigo em atividade.
Rodrigo Pires, jornalista, designer
grfico, fotografa profissionalmente
desde 2001. Trabalhou no Dirio de
Pernambuco e na Folha de Pernambuco.
Participou de duas exposies coletivas
sobre o Carnaval de Pernambuco. Este
ano obteve meno na revista francesa
Photo, com uma foto no matadouro que
faz parte de um ensaio sobre as cores do
serto nordestino. Atualmente participa
de uma exposio coletiva no Museu da
Abolio, em Recife. Foi premiado com
o primeiro lugar na categoria Fotojornalismo,
no Congresso de Comunicao
Social, Intercom, em 2002.
Publicado na revista Caros Amigos
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Estimable seor:
Como he pagado a usted tranquilamente el dinero que me
cobr por reparar mis zapatos, le va a extraar sin duda la
carta que me veo precisado a dirigirle.
En un principio no me di cuenta del desastre
ocurrido. Recib mis zapatos muy contento, augurndoles
una larga vida, satisfecho por la economa
que acababa de realizar: por unos cuantos
pesos, un nuevo par de calzado. (stas fueron
precisamente sus palabras y puedo repetirlas.)
Pero mi entusiasmo se acab muy pronto.
Llegado a casa examin detenidamente mis
zapatos. Los encontr un poco deformes, un
tanto duros y resecos. No quise conceder mayor
importancia a esta metamorfosis. Soy razonable.
Unos zapatos remontados tienen algo de extrao, ofrecen
una nueva fisonoma, casi siempre deprimente.
Aqu es preciso recordar que mis zapatos no se hallaban
completamente arruinados. Usted mismo les dedic frases elogiosas
por la calidad de sus materiales y por su perfecta hechura.
Hasta puso muy alto su marca de fbrica. Me prometi, en
suma, un calzado flamante.
Pues bien: no pude esperar hasta el da siguiente y me
descalc para comprobar sus promesas. Y aqu estoy, con los
CARTA A UN ZAPATERO
QUE COMPUSO MAL
UNOS ZAPATOS
Cultura do trabalho
TEXTO 22
 Cultura e Trabalho 56
Juan Jos Arreola
Ilustrao:
Alcy
22CA09TXT21P4.qxd 20.01.07 13:51 Page 56
pies doloridos, dirigiendo a usted una carta, en lugar
de transferirle las palabras violentas que suscitaron
mis esfuerzos infructuosos.
Mis pies no pudieron entrar en los zapatos.
Como los de todas las personas, mis pies estn hechos
de una materia blanda y sensible. Me encontr ante
unos zapatos de hierro. No s cmo ni con qu artes se
las arregl usted para dejar mis zapatos inservibles. All
estn, en un rincn, guindome burlonamente con sus
puntas torcidas.
Cuando todos mis esfuerzos fallaron, me puse a considerar
cuidadosamente el trabajo que usted haba realizado. Debo
advertir a usted que carezco de toda instruccin en materia de
calzado. Lo nico que s es que hay zapatos que me han hecho
sufrir, y otros, en cambio, que recuerdo con ternura: as de
suaves y flexibles eran.
Los que le di a componer eran unos zapatos admirables
que me haban servido fielmente durante muchos meses. Mis
pies se hallaban en ellos como pez en el agua. Ms que zapatos,
parecan ser parte de mi propio cuerpo, una especie de
envoltura protectora que daba a mi paso firmeza y seguridad.
Su piel era en realidad una piel ma, saludable y resistente.
Slo que daban ya muestras de fatiga. Las suelas sobre todo:
unos amplios y profundos adelgazamientos me hicieron ver
que los zapatos se iban haciendo extraos a mi persona, que
se acababan. Cuando se los llev a usted, iban ya a dejar ver
los calcetines.
Tambin habra que decir algo acerca de los tacones: piso
defectuosamente, y los tacones mostraban huellas demasiado
claras de este antiguo vicio que no he podido corregir.
Quise, con espritu ambicioso, prolongar la vida de
mis zapatos. Esta ambicin no me parece censurable:
al contrario, es seal de modestia y entraa una cierta
humildad. En vez de tirar mis zapatos, estuve dispuesto
a usarlos durante una segunda poca, menos brillante
Cultura e Trabalho  57
22CA09TXT21P4.qxd 12/13/06 12:17 PM Page 57
Texto 22 / Cultura do trabalho
 Cultura e Trabalho 58
y lujosa que la primera. Adems, esta costumbre que tenemos
las personas modestas de renovar el calzado es, si no me equivoco,
el modus vivendi de las personas como usted.
Debo decir que del examen que practiqu a su trabajo de
reparacin he sacado muy feas conclusiones. Por ejemplo, la
de que usted no ama su oficio. Si usted, dejando aparte todo
resentimiento, viene a mi casa y se pone a contemplar mis
zapatos, ha de darme toda la razn. Mire usted qu costuras:
ni un ciego poda haberlas hecho tan mal. La piel est cortada
con inexplicable descuido: los bordes de las suelas son irregulares
y ofrecen peligrosas aristas. Con toda seguridad, usted
carece de hormas en su taller, pues mis zapatos ofrecen un
aspecto indefinible. Recuerde usted, gastados y todo, conservaban
ciertas lneas estticas. Y ahora...
Pero introduzca usted su mano dentro de ellos. Palpar
usted una caverna siniestra. El pie tendr que transformarse
en reptil para entrar. Y de pronto un tope; algo as como un
quicio de cemento poco antes de llegar a la punta. Es posible?
Mis pies, seor zapatero, tienen forma de pies, son como
los suyos, si es que acaso usted tiene extremidades humanas.
Pero basta ya. Le deca que usted no le tiene amor a su
oficio y es cierto. Es tambin muy triste para usted y peligroso
para sus clientes, que por cierto no tienen dinero para
derrochar.
A propsito: no hablo movido por el inters. Soy pobre
pero no soy mezquino. Esta carta no intenta abonarse la cantidad
que yo le pagu por su obra de destruccin. Nada de
eso. Le escribo sencillamente para exhortarle a amar su propio
trabajo. Le cuento la tragedia de mis zapatos para infundirle
respeto por ese oficio que la vida ha puesto en sus manos;
por ese oficio que usted aprendi con alegra en un da de
juventud... Perdn; usted es todava joven. Cuando menos,
tiene tiempo para volver a comenzar, si es que ya olvid cmo
se repara un par de calzado.
Nos hacen falta buenos artesanos, que vuelvan a ser los
22CA09TXT21P4.qxd 12/13/06 12:17 PM Page 58
Cultura e Trabalho  59
de antes, que no trabajen solamente para obtener el dinero de
los clientes, sino para poner en prctica las sagradas leyes del
trabajo. Esas leyes que han quedado irremisiblemente burladas
en mis zapatos.
Quisiera hablarle del artesano de mi pueblo, que remend
con dedicacin y esmero mis zapatos infantiles. Pero esta
carta no debe catequizar a usted con ejemplos.
Slo quiero decirle una cosa: si usted, en vez de irritarse,
siente que algo nace en su corazn y llega como un reproche
hasta sus manos, venga a mi casa y recoja mis zapatos, intente
en ellos una segunda operacin, y todas las cosas quedarn
en su sitio.
Yo le prometo que si mis pies logran entrar en los zapatos,
le escribir una hermosa carta de gratitud, presentndolo en
ella como hombre cumplido y modelo de artesanos.
Soy sinceramente su servidor.
FIN
Fonte P Biblioteca Digital Ciudad Seva
http://www.ciudadseva.com/textos/teoria/opin/chevoj02.htm
Adelgazamiento.
emagrecimento,
estreitamento
Aristas. arestas
Bordes. beiras
Burlar. zombar
Calcetines. meias
Cumplido. educado, corts
Darse cuenta. perceber
Derrochar. gastar muito
Guiar. piscar um olho
Hechos. feitos, fatos
Hechura. confeco, feitura
Hierro. ferro
Hormas. formas
Huellas. marcas, pegadas
Pez. peixe
Quedar. ficar
Reparar. consertar
Reproche. recriminao,
censura
Resecos. ressecados
Rincn. canto, lugar afastado
Seal. sinal, marca
Sencillamente. simplesmente
Sitio. lugar
Tacones. saltos (sapatos)
GLOSARO
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Festas populares
TEXTO 23
 Cultura e Trabalho 60
AS GRANDES FESTAS
E AS OPORTUNIDADES
DE TRABALHO E RENDA
As festas populares do pas
selecionam trabalhadores de
todos os nveis, do estudante do
ensino fundamental ao doutor
Renato Pompeu
Foto: Tasso Marcelo / AE
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As grandes festas populares, como o
Carnaval, e religiosas, como o Natal,
mais os grandes eventos esportivos,
como a Copa do Mundo e os Jogos Pan-
Americanos, e at eventos cvicos, como a
Marcha do Orgulho Gay, criam boas oportunidades
de trabalho temporrio e at
fixo, porm sazonal (isto , que s ocorre
durante determinada poca do ano), e de
renda, para todos os nveis de instruo.
Para o Carnaval j existem oficinas
unificadas no Rio de Janeiro e em Salvador,
onde as escolas de samba e os grupos
carnavalescos em geral empregam grande
nmero de costureiras para as fantasias;
engenheiros, marceneiros, carpinteiros,
mecnicos, escultores, pintores e decoradores
para os carros alegricos, adereos e
alegorias mveis; e at historiadores para
as pesquisas sobre os temas, por exemplo,
dos sambas-enredo.
No Natal h grande procura, por parte
das lojas, de vendedores para funes temporrias,
de atores que possam desempenhar
o papel de Papai Noel e outros personagens,
de instrutores que ensinem a usar
brinquedos complicados, videogames e outros
presentes tpicos da era contempornea;
montadores, mecnicos e decoradores
para prespios mveis ou no.
Na Copa do Mundo h muitas vagas
para costureiras e vendedores de camisas
da Seleo e dos clubes e bandeiras nacionais
e esportivas, isso sem contar os milhares
de trabalhos temporrios que surgem
nos pases-sede. Os Jogos Pan-Americanos
de 2007 no Rio de Janeiro so um exemplo
de criao em massa de vagas (remuneradas
com alimentao e transporte, sem
salrios, mas com a garantia da sobrevivncia
durante vrias semanas) de tradutores,
intrpretes, acompanhantes, atendentes,
etc., alm da criao de vagas temporrias
no setor hoteleiro.
Eventos como a Marcha do Orgulho
Gay, com suas centenas de milhares de
participantes, proporcionam a instalao
de barraquinhas de alimentos e bebidas e
de venda de lembranas, sem contar as
vagas nos hotis e nas agncias de turismo.
Tambm a Oktoberfest, a festa do chope em
Santa Catarina em outubro, ou a Procisso
do Crio de Nazar, em Belm do Par,
garantem muitas vagas temporrias. Em
suma, onde h festa, h trabalho.
Cultura e Trabalho  61
Renato Pompeu  escritor e jornalista.
Todo ano, o carnaval propicia oportunidade
de emprego e renda para milhares de pessoas.
Foto: Fabio Motta / AE
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Trabalho e tempo livre
TEXTO 24
 Cultura e Trabalho 62
CINEMA POVO:
I NIS NA FITA
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H um cinema novo. Um cinema que
no depende de estdios, nem de
muito dinheiro. Um cinema local,
capaz de falar de temas locais e ser bemsucedido
economicamente. Feito pelo
povo e para o povo. Um cinema que no
depende nem mesmo de salas de cinema.
Onde encontr-lo? Em primeiro lugar,
na Nigria, frica, que est entre os maiores
produtores de filmes do mundo 
mais de 1.200 por ano! Algo curioso para
um pas que nem tem salas de cinema. O
milagre se deve ao surgimento de um
mercado de filmes feitos para serem vendidos
diretamente em DVD. E ainda mais
interessante: por camels  todos os filmes
so vendidos nas ruas, por menos de
3 dlares.
Febre africana
O resultado: filmes que vendem centenas
de milhares de cpias, sustentando
uma das indstrias mais promissoras na
Nigria em termos de gerao de empregos.
Os filmes comeam a se tornar febre
em outros pases africanos e um canal de
televiso por satlite dedicado exclusivamente
a eles est a caminho. Os temas
so de fazer torcer o nariz de qualquer
apreciador de "alta cultura": tratam de
feitiaria, prostituio, enredos policialescos
e comdias. Em outras palavras, tudo
timo, ao gosto do pblico para o qual os
filmes so destinados. O sucesso e a diverso
so garantidos.
Tambm no Brasil
H notcias de que esse cinema
povo est acontecendo tambm no
Brasil, l em Manaus, no Amazonas e em
So Carlos, em So Paulo. Sem falar no
mercado de DVDs musicais populares.
Est interessado num DVD de funk carioca
ou de forr eletrnico? Procure nos
camels: os filmes so produzidos para
serem vendidos exclusivamente por eles.
Mais do que nunca, somos ns na fita.
Cultura e Trabalho  63
Texto adaptado por Pgina Viva.
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Expediente
Comit Gestor do Projeto
Timothy Denis Ireland (Secad  Diretor do Departamento da EJA)
Cludia Veloso Torres Guimares (Secad  Coordenadora Geral da EJA)
Francisco Jos Carvalho Mazzeu (Unitrabalho)  UNESP/Unitrabalho
Diogo Joel Demarco (Unitrabalho)
Coordenao do Projeto
Francisco Jos Carvalho Mazzeu (Coordenador Geral)
Diogo Joel Demarco (Coordenador Executivo)
Luna Kalil (Coordenadora de Produo)
Equipe de Apoio Tcnico
Adan Luca Parisi
Adriana Cristina Schwengber
Andreas Santos de Almeida
Jacqueline Brizida
Kelly Markovic
Solange de Oliveira
Equipe Pedaggica
Cleide Lourdes da Silva Arajo
Douglas Aparecido de Campos
Eunice Rittmeister
Francisco Jos Carvalho Mazzeu
Maria Aparecida Mello
Equipe de Consultores
Ana Maria Roman  SP
Antonia Terra de Calazans Fernandes  PUC-SP
Armando Lrio de Souza  UFPA  PA
Clia Regina Pereira do Nascimento  Unicamp  SP
Eloisa Helena Santos  UFMG  MG
Eugenio Maria de Frana Ramos  UNESP Rio Claro  SP
Giuliete Aymard Ramos Siqueira  SP
Lia Vargas Tiriba  UFF  RJ
Lucillo de Souza Junior  UFES  ES
Luiz Antnio Ferreira  PUC-SP
Maria Aparecida de Mello  UFSCar  SP
Maria Conceio Almeida Vasconcelos  UFS  SP
Maria Mrcia Murta  UNB  DF
Maria Nezilda Culti  UEM  PR
Ocsana Sonia Danylyk  UPF  RS
Osmar S Pontes Jnior  UFC  CE
Ricardo Alvarez  Fundao Santo Andr  SP
Rita de Cssia Pacheco Gonalves  UDESC  SC
Selva Guimares Fonseca  UFU  MG
Vera Cecilia Achatkin  PUC-SP
Equipe editorial
Preparao, edio e adaptao de texto:
Editora Pgina Viva
Reviso:
Ivana Alves Costa, Marilu Tassetto,
Mnica Rodrigues de Lima,
Sandra Regina de Souza e Solange Scattolini
Edio de arte, diagramao e projeto grfico:
A+ Desenho Grfico e Comunicao
Pesquisa iconogrfica e direitos autorais:
Companhia da Memria
Fotografias no creditadas:
iStockphoto.com
Apoio
Editora Casa Amarela
Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
(Cmara Brasileira do Livro. SP, Brasil)
Cultura e Trabalho / [coordenao do projeto
Francisco Jos Carvalho Mazzeu, Diogo Joel Demarco,
Luna Kalil]. -- So Paulo : Unitrabalho-Fundao
Interuniversitria de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho ;
Braslia, DF : Ministrio da Educao. SECAD-Secretraria
de Educao Continuada, Alfabetizao e Diversidade,
2007, -- (Coleo Cadernos de EJA)
Vrios colaboradores.
Bibliografia.
ISBN 85-296-0054-1 (Unitrabalho)
ISBN 978-85-296-0054-3 (Unitrabalho)
1. Cultura 2. Livros-texto (Ensino Fundamental)
3. Trabalho I. Mazzeu, Francisco Jos Carvalho.
II. Demarco, Diogo Joel. III. Kalil, Luna.
IV. Srie.
07-0415 CDD-372.19
ndices para catlogo sistemtico:
1. Ensino integrado : Livros-texto : Ensino
fundamental 372.19
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